Livro de bolso para o bolso
Autor: Daniele Correia Szakacs e Paulo Durão
Daniele Correia Szakacs
Aluna da 6ª Etapa do curso de Comunicação Social com Habilitação em Editoração das
Faculdades Integradas Rio Branco.
Paulo Durão
Mestre em Artes/História da Cultura e Especialista em Comunicação e Artes pela Universidade
Mackenzie; graduado em Design Gráfico pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo,
técnico em Artes gráficas pelo SENAI e Publicidade pela FECAP. Professor dos cursos
de Editoração, Publicidade, Jornalismo e Design das Faculdades Integradas Rio Branco;
professor no curso de Design na FMU, além de ter ministrado aulas na Universidade
Ibirapuera para o curso de Publicidade e Propaganda. Email: paulodurao@terra.com.br
Resumo
Com formato diferenciado e baixo custo, os livros de bolso surgiram com o intuito
de captar novos leitores e transformar o hábito de leitura dos brasileiros. Apostando
em preços reduzidos e na portabilidade adequada a situações do cotidiano, as editoras
estão investindo nesses diferenciais para que o pouco tempo livre dos brasileiros
seja bem aproveitado com leitura de obras conceituadas da literatura nacional e
internacional. Este artigo visa demonstrar que as editoras estão buscando novas
formas de atuar no mercado, para não perder leitores e captar mais público, favorecendo
a si mesmas e transformando a cultura do brasileiro com relação à leitura.
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Considerando que os brasileiros não possuem um
hábito de leitura frequente, devido a um fator histórico e à
falta de acesso à leitura, seja por questões culturais ou financeiras,
o segmento de bolso foi incorporado pelas editoras trazendo grandes obras
nacionais e internacionais para este novo formato.
Com tamanho reduzido e preço até 60% mais barato que os livros comuns,
as edições de livros de bolso foram espalhadas pelo país a
partir da década de 1950 com o objetivo de captar novos leitores e facilitar
a vida daqueles que têm pouco tempo para leitura, mas que se interessam pela
atividade. Mas foi a partir de 1990 que eles ganharam força no mercado editorial
e conquistaram os brasileiros que cada vez mais se adaptam a esse hábito
e tentam construir uma nova cultura.
Segundo Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro:
os editores estão tendo que ousar mais para atrair o público
e achar novos leitores. Temos poucas livrarias, então a venda em outros canais
(como farmácias, supermercados e lojas de conveniência) vem crescendo.
(Amigos do Livro – O Portal do Livro no Brasil, 2007)
LIVRO DE BOLSO, PAPERBACK, POCKET BOOKS
Formato diferenciado, preço baixo e pontos de venda variados
são características dos chamados “livros de bolso”.
Nos Estados Unidos e na Europa o segmento de livros de bolso é
um mercado consolidado há mais de meio século. Iniciado no Brasil
na década de 1950, o formato teve boa repercussão, mas somente a partir
dos anos 1990 esse nicho começou a ganhar o merecido espaço (CAPERUTO,
2008, p.110)
A denominação “de bolso” foi dada devida
à sua encadernação em brochuras, sendo uma publicação
de baixo custo por possuir capa feita em papel cartão ou papelão e
com miolo em papel jornal.
Com variedade de nomes pelo mundo, o paperback surgiu na Alemanha em 1931.
A partir de 1935 a Inglaterra o adotou e em 1938 os Estados Unidos aderiram ao formato
mudando o nome para pocket books. Já no Brasil, os livros de
bolso iniciaram-se na década de 1950, mas obteve grande repercussão
somente depois de 1990.
No Brasil, os livros de bolso possuem miolo feito em offset, pois o papel
jornal nacional não tem a qualidade dos outros países. Muitas editoras
estão apostando nesse segmento, passando a fornecer obras em sua íntegra
neste formato, publicando bestsellers e obras clássicas nacionais e internacionais.

Além dos clássicos da literatura, os livros de bolso surgiram também
com o intuito de divulgar ciências e textos técnicos. Um exemplo é
a Coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense, que utilizou o
formato de bolso para fazer síntese de diversos temas.
As principais editoras que apostam nesse segmento são a Martin Claret, que
dá ênfase a clássicos da literatura, a L&PM Editora, que
lançou a coleção L&PM Pocket com mais de 710 títulos,
e a Editora Rocco em parceria com a L&PM (Paulo de Almeida Lima (o L de L&PM)
e Ivan Pinheiro Machado (o PM de L&PM).
As editoras estão abrindo cada vez mais espaço para este segmento
e variando cada vez mais seus assuntos, inciando-se com grandes clássicos
da literatura nacional e internacional, até grandes bestsellers da
atualidade.
Esse novo formato de livro surgiu com o intuito de baratear os custos da produção
de livros e, consequentemente de suas vendas, aumentando a quantidade de leitores,
já que neste formato além dos custos reduzidos, ainda há a
questão da portabilidade Sendo uma obra com tamanho diferenciado, favorece
a leitura em locais cotidianos como transportes públicos, filas de espera
de atendimentos, entre outras ocasiões.
Segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (gráfico 1), desenvolvida
pelo Instituto Pró Livro e IBOPE Inteligência, 16% dos pesquisados
são considerados não alfabetizados e 48% da amostra declararam-se
não leitores (não leram nenhum livro nos três últimos
meses à pesquisa), porém o número de não leitores diminui
de acordo com a renda e classe social. Quase não há não leitores
na classe A e há apenas 2% de não leitores quando a renda familiar
é superior a 10 salários mínimos.
Gráfico 1 - Fonte: http://www.prolivro.org.br/
A mesma pesquisa mostra ainda que os não leitores estão
na base da pirâmide social, sendo que 50% da classe D não possuem acesso
à leitura, classe C 33%, enquanto B somente 7% e classe A apenas 1% são
não leitores.
Com esses dados podemos observar que um dos grandes problemas no Brasil quanto ao
hábito de leitura está na renda familiar, além do fato da analfabetização
Entre comprar comida e um livro, com certeza a escolha pela alimentação
será prioridade.
Quando a pesquisa aborda os principais motivos pelos quais há a ausência
de leitura dos alfabetizados, a falta de tempo é colocada no topo da lista
com 29%; o desinteresse aparece com 27%; e a falta de dinheiro com 7% conforme gráfico
abaixo:
Gráfico 2 - Fonte: http://www.prolivro org.br/
Sendo o custo uma das principais características apontadas pelos não-leitores,
podemos dizer que há um tipo de reação em cadeia quando se
trata de livros: poucas pessoas costumam comprar livros, sendo assim a tiragem de
novos títulos será baixa, tornando-se um produto caro, e por ser caro,
poucas pessoas comprarão. Com isso, os livros de bolso surgem como solução
para este problema que atrapalha aqueles que gostariam de ler, mas não podem
por motivos financeiros.
Atualmente, o preço dos livros de bolso variam entre R$3 e R$28 e os pontos
de venda são os mais variados possíveis.
Entre livrarias, bancas de jornal, supermercados, lojas de conveniência, entre
outros estabelecimentos que vendem livros, existe um local muito curioso desenvolvido
para facilitar a compra dos brasileiros em meio ao caos do dia-a-dia. São
protótipos de máquinas de salgadinhos distribuídas nas maiores
estações de metrô, com apenas um tipo de conteúdo: livros!
O responsável pela idéia foi o empresário Fabio Bueno Netto,
que fundou a 24x7 Cultural, empresa que disponibiliza
as máquinas que atualmente são desenvolvidas especialmente para esta
finalidade, facilitando a venda de livros de bolso. Há cerca de 30 máquinas
espalhadas pelas estações de metrô das cidades de São
Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, que vendem aproximadamente 15 mil livros
por mês, com variedade superior a 500 títulos.

A busca por novas tecnologias que favorecem o público leitor brasileiro são
indispensáveis para a melhoria do hábito de leitura. Há algum
tempo, era difícil encontrar alguém lendo nos trens ou ônibus
da cidade, porém hoje em dia é cada vez mais comum presenciar esta
cena.
Os livros de bolso surgiram com o intuito de melhorar a situação da
leitura no Brasil, e está conseguindo. Apesar do número de livros
comprados ainda ser muito pequeno (segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil,
somente 1,2 livros por habitante/ano), ocorre devido não só à
questão financeira, mas também educacional, pois quanto menor o grau
de escolaridade, menor contato com a leitura a pessoa possui.

Fonte: http://www.prolivro.org.br/
Entretanto, percebemos que o segmento de bolso surgiu somente
para ajudar as editoras, colocando mais um suporte para atrair a atenção
e curiosidade dos leitores e com o auxílio das tecnologias este mercado só
cresce e as editoras passam a aderir a este novo segmento.
Por sua vez, novamente a reação em cadeia 1 acontece: quanto mais
livros de bolso vendidos, maior o número de tiragens, o preço continuará
acessível e novas publicações de bolso serão lançadas
no mercado, atraindo cada vez mais os leitores.
CONCLUSÃO
Se o motivo das pessoas não comprarem livros era o preço,
isso já não é mais desculpa, pois os livros de bolso possuem
valor acessível que varia de R$3 a R$28. Se o motivo era a falta de tempo
de ir a uma livraria ou o difícil acesso até ela, isso também
já foi resolvido, pois os livros agora estão à venda também
em bancas, supermercados, lojas de conveniência e até mesmo nas estações
de metrô. Se a portabilidade de livros era um problema, nos dias atuais já
há uma solução: os livros de bolso vieram para facilitar a
portabilidade, fácil acesso às mais variadas obras nacionais e internacionais
e melhorar o desenvolvimento intelectual dos brasileiros.
Portanto, mesmo com algumas dificuldades no acesso à leitura no Brasil, as
editoras buscam sempre novas formas de atuar no mercado para não perder leitores
e também captar mais público, favorecendo a si mesmas e transformando
a cultura do brasileiro com relação à leitura.
Referências Bibliográficas
CAPERUTO, Ada. Bom, barato e de bolso. Revista Abigraf
– Arte e Indústria Gráfica – ano XXXII, São Paulo,
nº 236, p. 110 à 112. Jul.2008.
CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO, CULTURA E AÇÃO
COMUNITÁRIA (CENPEC). Biblioteca. Educação. Estudos e Pesquisas.
Disponível em: <http://ftp1.cenpec.org.br/ftp/Biblioteca/Educacao/Estudos-e-pesquisas/retratos-da-leitura-no-brasil.pdf>.
Acesso em 06/11/2010.
EL FAR, Alessandra. O livro e a leitura no Brasil. São Paulo: Jorge
Zahar, 2006.
FISCHER, Steven Roger. História da Leitura. São Paulo: UNESP,
2007.
QUEIRÓS. Leitura de bolso. Amigos do Livro – O Portal do Livro no Brasil,
26/12/2007. Disponível: <http://www.amigosdolivro. com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5236>
Acesso em 06/11/2010.