A problemática da imprensa na cobertura do futebol feminino brasileiro
Autores: Paula Marolo | Caio Colagrande Castro | Maria Genny
Paula Marolo, Caio Colagrande Castro, Graduandos em Comunicação Social, Habilitação: Jornalismo, Faculdades Integradas Rio Branco
Maria Genny Caturegli, Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Licenciatura em Letras pela Faculdade Ibero-Americana de Letras e Ciências Humanas. Habilitada em língua espanhola e é lato sensu pelo Unibero – Centro Universitário Ibero-Americano. É professora nas Faculdades Integradas Rio Branco.
Resumo
O objetivo deste artigo é debater as principais causas da falta de divulgação de campeonatos de futebol feminino em todos os meios de comunicação e propor soluções para aumentar a visibilidade da modalidade. Para tanto, será analisada a trajetória da imprensa relacionada ao tema e suas características atuais, assim apontando suas falhas e propondo soluções.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
A ideia deste artigo surgiu após o jogo final
do I Torneio Internacional de Futebol Feminino realizado em São Paulo em
2010. Seu objetivo foi o de expor aos órgãos esportivos as possíveis
maneiras de alavancar a audiência do futebol feminino e melhorar sua cobertura
jornalística, além de apontar a falta de atitude dos órgãos
esportivos e da imprensa em investir no futebol feminino. Os primeiros deveriam
aperfeiçoar os campeonatos existentes e à segunda caberia o papel
de aumentar a divulgação do calendário de competições,
nomes de jogadoras, etc.
Em pleno século XXI, uma modalidade esportiva, que deveria ser uma das iniciativas
mais democráticas da atualidade, ainda separa os homens das mulheres.
Amparada pela imprensa esportiva, que só se interessa em cobrir o futebol
feminino quando lhe convém, essa discriminação injusta e infundada
tem de ser debatida e erradicada.
A escolha do tema deveu-se à falta de atitude dos órgãos esportivos
e da imprensa em investir no futebol feminino, os primeiros para aperfeiçoar
os campeonatos existentes e a segunda para aumentar o conhecimento do público
sobre a existência das competições, jogadoras, etc.
Para tanto, foi realizada uma pesquisa em livros, sites da internet, em páginas
especializadas em futebol feminino e em trabalhos acadêmicos para aferir a
qualidade de sua cobertura jornalística devido a ser muito pobre a divulgação
dos campeonatos da modalidade em relação ao futebol masculino, e para
fazer um levantamento de suas causas, apontando as possíveis soluções.
A partir de livros (“Manual do Jornalismo Esportivo”), papers e trabalhos
publicados na internet (“Futebol é ‘coisa para macho’?),
de Fábio Frazini, e “Memória, Mídia e Discurso: o Futebol
Feminino em Campo”, de Rosângela de Sena Almeida), conduziu-se um projeto
enfocando: 1) a maneira de realizar a cobertura jornalística; 2) apontar
o descaso da mídia para com o futebol feminino no Brasil que influencia ou
talvez seja influenciado pelas organizações desportivas do país;
3) detectar o fato de as organizações desportivas se preocuparem em
fazer mudanças no calendário e na proteção às
jogadoras, somente em épocas que lhes interessam – como foi o caso
dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro e em todas as Copas do Mundo
da modalidade.
Essa atitude de descaso não se restringe só ao futebol feminino; no
vôlei, no basquete ou até mesmo no futsal algumas emissoras não
se preocupam nem ao menos em mencionar os resultados ou a existência de campeonatos
– a não ser, obviamente, por ocasião de alguma decisão,
como é o caso da Superliga de vôlei. Além disso, a onipresença
de uma emissora em particular em todos esses eventos finais – a Rede Globo
– prejudica uma divulgação mais ampla. A pergunta que surge
é: até que ponto a imprensa é culpada pela falta de visibilidade
do futebol feminino?
A pesquisa foi realizada em meios bibliográficos e em sites na internet,
além de entrevista com profissionais ligados à área de jornalismo,
como a autora do livro “Manual do Jornalismo Esportivo”, de Patrícia
Rangel, adotado como referência de técnicas de cobertura jornalística.
Lançamos mão, ainda, de recursos televisivos, como as chamadas “mesas-redondas”.
No processo de pesquisa, tentamos abranger somente o que dizia respeito às
relações entre a modalidade esportiva e a imprensa.
O PAPEL FEMININO NA HISTÓRIA DO FUTEBOL
O futebol brasileiro é conhecido em todo o mundo. Quando
pensamos nele é praticamente automático fazermos uma ligação
com os títulos obtidos e a sua história. Contudo, o papel feminino
não faz parte dessa memória. Existem poucos dados sobre a real história
do futebol feminino no Brasil; alguns dão a data do primeiro jogo em 1940,
cujo único interesse se limitou a essa exibição, e outros dizem
que tenha sido em 1913, entre senhoras dos bairros da Cantareira e Tremembé.
Mesmo assim, o futebol não se firmou entre as mulheres, e somente em 1981
formaram-se várias equipes femininas (São Paulo, Guarani, América
e outras).
Enquanto isso, na Europa, o futebol feminino já fazia muito sucesso no fim
da década de 1910 e começo dos anos 20. Na Inglaterra, a popularidade
aumentou durante a I Guerra Mundial, quando os homens foram à guerra e elas
ficaram responsáveis pelos trabalhos tipicamente masculinos, incluindo os
campos de futebol, realizando jogos beneficentes para arrecadar fundos para os soldados.
O retorno dos soldados foi fatal para o futebol feminino. Restaurouse o papel antes
imposto às mulheres, devolvendo-as para as arquibancadas.
Na França, durante algum tempo, elas conseguiram estabelecer-se nos campos
com regras especiais criadas para o futebol feminino, porém isso pouco durou
e voltaram a ser espectadoras.
No Brasil, o cenário não foi diferente, como relata o jornalista Mario
Filho no livro “O Negro no Futebol Brasileiro” (RODRIGUES, 1964, p.
23), quando conta que as moças eram cortejadas durante os jogos de futebol.
Homens nos campos suando e as belas moças nas arquibancadas ouriçadas
com cada lance de seus possíveis pretendentes.
O FUTEBOL FEMININO E A IMPRENSA
Registros de quando a imprensa se envolve na divulgação
do futebol feminino podem ser considerados recentes; por exemplo: em 1940, foi relatado
na revista Educação Física um interessante jogo entre senhoritas
no Rio de Janeiro. Matéria do jornal paulistano Folha da Manhã, reconhecia
a existência de dez equipes de futebolistas em franca e regular atividade.
Nesse mesmo ano, surgem nos subúrbios cariocas o Eva F.C., o E.C. Brasileiro,
o Cassino Realengo, o Benfica F.C., que estavam muito distantes dos clubes tradicionais
cariocas.
A presença da imprensa também se deu em anúncios feitos por
esses e outros clubes de senhoritas para arrebanhar futuras jogadoras, como fez
o Primavera. F.C. ao publicar informação de que moças de 15
a 25 anos podiam se apresentar ao clube (CORREIO DA MANHÃ, 1940, p.2).
Assim como no futebol masculino, despertava-se a relação de amor e
ódio no eixo Rio-São Paulo. O jornal Folha da Manhã dava grande
destaque aos jogos das “filhas de Eva” referindo-se à postura
do clube que era séria e respeitada apesar de ser uma criação
de mulheres em um âmbito tão masculino (FOLHA DA MANHÃ, 1940,
p.12).
Porém, alguns desportistas não recebiam bem as noticias sobre os times
femininos, tanto que um deles, José Fuzeira, chegou a escrever ao presidente
Getúlio Vargas sobre a preocupação com as jogadoras que estavam
criando uma calamidade junto à juventude feminina do Brasil. Alegava que
as jogadoras estavam se envolvendo em um esporte violento, que desrespeitava as
funções orgânicas que lhe dera a natureza para ser mãe,
e fortificava o exibicionismo das moças que se esqueciam de sua real feminilidade,
tudo influenciado e com o consentimento da imprensa que dava destaque àquela
atrocidade.
O Presidente encaminhou a carta aos devidos órgãos responsáveis
que compactuaram com a ideia de José Fuzeira, e atestaram ser verdadeira
a ideia de que o futebol poderia prejudicar áreas muito delicadas e importantes
do organismo feminino.
Em seguida, a imprensa não tardou a comprar a ideia lançada pelo governo
de que o futebol afetava a saúde da mulher e poderia comprometer sua capacidade
de ser mãe.
O jornal Gazeta Esportiva publicou a opinião de um médico especialista
em medicina esportiva que atestava a veracidade dos danos causados às mulheres
que jogavam futebol.
O problema não era o futebol em si, mas sim a subversão de papeis
entre homens e mulheres. Estas, deveriam ser as únicas responsáveis
pelo lar e sua família e os homens, mantenedores financeiros e quase proprietários
de suas proles e esposa. Com receio de que a os estereótipos de “rainha
do lar”, “boa mãe” e “boa esposa” fossem deixados
para trás, o governo recomendou que fosse realizada uma campanha de propaganda
mostrando os malefícios do futebol para as mulheres.
A campanha não foi realizada, porém um Decreto-Lei , em abril de 1940,
instituiu que não era permitido às mulheres a prática de desportos
incompatíveis com as condições de sua natureza. E recomendava
quais esportes poderiam ser praticados pelas mulheres: tênis, voleibol, críquete,
natação e ciclismo. Com a ressalva de que deveria ser praticado com
moderação. Foi revogado em 1979.
Um jogo no Pacaembu, entre Flamengo e São Paulo, que rendeu uma matéria
com tom machista, era o começo de uma mudança na postura da imprensa
brasileira sobre o futebol feminino. A matéria se referia às falhas
e à falta de técnica das frágeis jogadoras que compensavam
o espetáculo com as gargalhadas que ecoavam por parte dos espectadores (FOLHA
DA MANHÃ, 1940, p.11).
Todo empenho e visibilidade do futebol feminino se deram graças à
imprensa que ostentava com maestria uma nova vertente no começo daquele que
viria a ser o país do futebol; porém, a partir do momento em que o
governo começa a se incomodar com a substituição das rainhas
do lar pelas rainhas da bola, a mídia o acompanha nessa nova arrancada para
macular o futebol feminino perante a sociedade e as próprias mulheres.
Novas opiniões eram publicadas sobre o assunto nas revistas do ramo. A revista
Educação Fisica publicou um artigo afirmando que as jogadoras jamais
alcançariam a perfeição do futebol masculino, e ainda exaltava
ser ele um esporte anti-higiênico que feria a alma feminina.
A falta de investimento, de interesse do público e o frequente ataque da
imprensa fez com que vários times fechassem as portas. Algumas estratégias
foram usadas pelos clubes que ainda se mantinham. O Primavera F.C tentava alguns
amistosos internacionais e outros clubes apelavam nas tentativas de obter visibilidade.
Um desses clubes resolveu transformar suas jogadoras em dançarinas que usavam
uniformes curtos e chuteiras. Isso foi fortemente noticiado e festejado quando as
autoridades resolveram investigar esses “antros de perdição”,
nome dado pela imprensa. Não tão distante da postura adotada por jogadoras
espanholas que posaram nuas para a revista Interviú em busca de patrocínio,
alegando que muitas delas precisavam de outros empregos para poderem se manter.
A investida do governo, seguida pela imprensa, alcançou seu objetivo. As
mulheres foram relegadas a segundo plano e a expectadoras dos feitos masculinos
em campo. Podiam assistir aos jogos, porém em lugares separados. A situação
atual do esporte feminino é o resultado de toda a retaliação
pela qual passou o futebol no passado, e atitudes que venham a mudar esse cenário
ainda são escassas. A imprensa que tanto ajudara o futebol feminino, contribuiu
consideravelmente para que o governo tivesse força para vetar sua prática.
O país do futebol, de que todos se orgulham, tem suas peculiaridades que
muitos não sabem e acabamcompactuando sem querer. A falta de visibilidade
do futebol feminino deriva-se da falta de campeonatos, que é um claro resultado
do impasse sofrido no passado com a retaliação da modalidade entre
as mulheres, culminando na falta de familiaridade com a sociedade atual.
A imprensa atual, como se não bastasse a preferência nacional pelo
futebol masculino, trata o futebol feminino como motivo de chacota com olhar extremamente
machista. Como no caso relatado pelo jornalista Sérgio Cabral: perguntado
certa vez sobre o que achava do futebol feminino, o comentarista esportivo e ex-técnico
João Saldanha disse ser contra — e justificou, com sua língua
ferina: “Imagina, o cara tem um filho, aí o filho arranja uma namorada,
apresenta a namorada ao sogro e o sogro pergunta a ela: ‘O que você
faz, minha filha?’ E a mocinha responde: ‘Sou zagueiro do Bangu’.
Quer dizer, não pega bem, não é?” (MURAD, 1994, p.10).
Ou ainda o caso em que a Folha de São Paulo revela as estratégias
para alcançar o sucesso do Campeonato Paulista Feminino de 2001 adotadas
pela Federação Paulista de Futebol e a Pelé Sports & Marketing,
com ações que enaltecem a beleza e a sensualidade das jogadoras para
atrair o publico masculino (ARRUDA, 2001, p. D5).
De maneira geral, não houve sensibilidade para com preender
a entrada das mulheres em campo como uma decorrência da popularização
do futebol entre nós. Todas as reações a esse movimento, como
se viu, foram no sentido de colocá-las “no seu devido lugar”,
banindo-as de dentro das quatro linhas, espaço próprio ao homem. (FRANZINI,
2005)
A Rosângela de Sena Almeida realizou um estudo sobre o papel
da mídia na conceituação do futebol feminino como memória:
Os discursos da mídia participam da constituição
das representações sociais, produzindo sentidos, esquecimentos e silenciamentos.
Assim, imprensa tem fundamental papel no fomento de memórias, especialmente
de memórias institucionais e/ou coletivas, pois participa do processo de
produção de sentidos dos fatos, tanto cristalizando memórias
do passado como construindo memórias do futuro e, portanto, contribuindo
na constituição do imaginário social. (ALMEIDA, 2008, s/p)
CONCLUSÃO
Fica fácil perceber, a partir das fontes coletadas, que a importância
atribuída à imprensa, no que diz respeito aos costumes (cultura de
futebol, no caso) e as tendências que ela dita são completamente verdadeiras.
Obviamente, a mídia não caminha sozinha: precisa da opinião
pública para funcionar, mas muitas vezes não percebe suas responsabilidades,
deixando-se levar pelo senso comum – seja para agradar ao governo, como nas
ridicularizações que culminaram na proibição da prática
do futebol por mulheres em 1940, seja por puro comodismo para agradar aos leitores.
Porém, é importante observar que, mesmo frente a todas as adversidades
encontradas, muitas jogadoras foram “cavando” um caminho entre as pedras
e, mais recentemente, foram ganhando projeção como profissionais.
Infelizmente, uma boa parte dessa projeção é internacional,
não se aplicando aos padrões locais: a aparência encorajadora
da imprensa ao tratar o futebol feminino como uma realidade e, mais ainda, uma obrigação,
nada mais é que uma máscara usada para enganar a população
– ou, melhor: fazê-la acreditar que algo está sendo feito para
mudar a situação de abandono da modalidade; o pior, por incrível
que pareça, é que a massa, às vezes, tendo consciência
disso, prefere simplesmente acreditar.
Rosângela de Sena vem reafirmar esse quadro: a mídia possui toda essa
importância, pois participa diretamente da memória dos povos, uma vez
que está presente no diaa- dia das pessoas. Isso leva-nos a algumas indagações:
até onde o problema do futebol feminino é das entidades desportivas?
E onde começa a responsabilidade da imprensa, em suas diversas ramificações
(impressa, online, etc)? Não seria preciso deter-nos apenas no âmbito
esportivo; basta lembrarmos das campanhas da Rede Globo contra Fernando Collor e
a favor de Lula nas eleições presidenciais para termos uma ideia de
como as empresas de comunicação (principalmente as grandes corporações)
influenciam a opinião pública, traçando o caminho que elas
julgarem mais favorável (não podemos nos esquecer da teoria da Agenda
Setting, na qual a nossa agenda de conversas e assuntos debatidos é estabelecido
previamente pela imprensa).
Por fim, é evidente que, além desses fatos, temos de levar em conta
a história da humanidade: não é de hoje que o homem comanda
as ações da sociedade, ainda com o pensamento de anos atrás,
no qual a mulher é apenas um “bibelô”, um acessório
para lhe causar bemestar; infelizmente, essa imagem do “the american way of
life” dos anos 1920 persiste até os dias atuais – com menos intensidade,
obviamente, mas ainda com presença marcante. Além de vencer as barreiras
econômicas e mercadológicas em questão, a mulher precisa vencer
um inimigo, talvez, mais forte, e que controla de certo modo os outros obstáculos
aqui levantados: o preconceito.
Referências Bibliográficas, eletrônicas e
filmes
ALMEIDA, Rosângela de Sena. Memória, Mídia
e Discurso: o Futebol Feminino em Campo, Rio de Janeiro. Dísponivel em: http://www.uff.br/seminariosuffunirio/_14.pdf.
Visto em 30/03/10.
BARBEIRO, H. e RANGEL, P. - Manual do Jornalismo Esportivo. São Paulo, Contexto, 2006.
COELHO, Paulo Vinícius. Jornalismo Esportivo, São Paulo: Contexto, 2003.
CORREIO DA MANHÃ. “Pingos e Respingos”, Rio de Janeiro,28.04.1940, p.2.
FRANZINI. Fábio. Futebol é “coisa para macho”?: Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Revista Brasileira de História, São Paulo. Dísponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882005000200012&script=sci_arttext. Visto em 30/03/10.
FOLHA DA MANHÃ. “Farão ellas o que elles não conseguem?...”,
Rio de Janeiro, 30.03.1940, p.12
FOLHA DA MANHÃ.“Um interessante interestadual marcará a inauguração da iluminação do Estádio do Pacaembu”,
São Paulo,10.05.1940, p.11. Folha de São Paulo. ARRUDA,E. “FPF
institui jogadora-objeto no Paulista”, São Paulo, 16/09/2001, p. D5
RODRIGUES FILHO,M. O Negro no Futebol Brasileiro.2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.
MURAD, M. “Saldanha, uma saudade”. Rio de Janeiro, jun.1994,p.10
VILAS-BOAS, Sergio (org.). Formação e Informação Esportiva, São Paulo: Summus Editorial, 2005.